História

PIA SOCIEDADE  DOS MISSIONÁRIOS DE SÃO CARLOS

     A Pia sociedade dos Missionários de São Carlos foi fundada pelo Servo de Deus, Dom João Batista Scalabrini, Bispo de Piacenza (Itália) em 28 de novembro de 1887, tendo sido anteriormente aceita e aprovada pela Santa Sé, no dia 15 do mesmo mês.

     A finalidade da Pia era a de pretar assistência religiosa aos emigrantes italianos nas Américas, respondendo assim aos insistentes pedidos de Bispos e Arcebispos americanos, que visavam preservar e consolidar a fé daqueles que, em busca de bens materiais, estavam ameaçados de perder os valores perenes do espírito.

     O Instituto Cristovão Colombo de Piacenza foi o berço dos Missionários de São Carlos.

     Um evento relevante ocorreu no dia 12 de julho de 1888 quando na Igreja de Santo Antonino, numa cerimônia deveras tocante, dez Missionários (7 padres e 3 irmãos – Coadjutores) recebiam o Crucifixo e uma benção especial do Superior Geral, Dom João Batista Scalabrini e, logo a seguir, partiam para as longínquas Américas do Norte e do sul a fim de devotar-se zelosamente à assistência espiritual dos emigrantes, que deixaram a pátria em procura de trabalho e de melhores condições de vida.

     Operosíssima e dinâmica foi a atividade de sacalabrini: além dos Missionários de São Carlos, ele fundou a sociedade “São Rafael”, instituição leiga para a proteção dos migrantes e também a Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos (aos 25 de outubro de 1895), originalmente denominadas “Servas dos Órfãos e Abandonados no exterior: Ancelle degli orfani e derelitti all estero”.

     Assim, no intuito de apreciar mais de perto as obras e as casas de seus missionários, as colônias e as indústrias italianas na Américas, Dom Scalabrini atravessou duas vezes o oceano, visitando os Estados Unidos em 1901 e no ano de 1904 o Brasil, tendo sido recebido em forma oficial pelo Governo. Hospedou-se no Orfanato Cristóvão Colombo do Ipiranga e no mês de julho inaugurou a secção feminina de Vila Prudente.

     Após quase um mês de permanência em São Paulo, o Bispo peregrino empreendeu uma maratona de viagens pelos vários estados sulinos do Brasil, desenvolvendo uma intensa atividade: contactou autoridades religiosas e civis, encontrou os seus padres e prodigalizou-se com os colonos italianos. Entre os dias 02 e 05 de outubro de 1904, por exemplo, administrou o crisma a 4.915 italianos da região de Nova Bassano.

     De volta à Itália, alquebrado pelas fadigas suportadas, Scalabrini veio a falecer no dia 1º de junho de 1905 em sua diocese de Piacenza.

     Desenvolvendo-se rapidamente, a Pia Sociedade dos Missionários de São Carlos agora está presente em muitos países das Américas, da Europa, da Oceania e da África, principalmente aí, onde os problemas migratórios ocorrem de uma forma acentuada. E os seus missionários com carinho e zelo vão de encontro às necessidades dos pobres desenraizados de sua terra natal.

ORFANATO CRISTÓVÃO COLOMBO

     A abolição da escravidão no Brasil provocou o despovoamento das fazendas e a falta de braço servil para a lavoura. Os negros e também os de raça indígena, como consequência da Lei Áurea, desertaram o campo, criando um vazio de mão de obra barata.

     A fim de substituí-los, o Governo incentivou e subvencionou a entrada de colonos estrangeiros assalariados, que desde o fim da década de 1880 começaram a chegar ao Brasil.

     Alguns desses novos advindos foram bastante afortunados e bem sucedidos. Outros, porém, vencidos pelas adversidades, deixavam seus queridos filhinhos na orfandade e no desamparo.

     A propósito dessa migração, bem escreve um semanário da época, intitulado “O Zelador“:

” É um fato incontestável que quase todos os dias saem dos portos europeus navios completamente carregados de pobres famílias, as quais vêm em procura de um pedaço de pão na fertilidade do Brasil.  Deixam com dor a terra natal, saúdam com gemidos o oceano, que talvez nunca terão visto e com a alma oprimida pelo medo entregaram-se às suas ondas, receosos de aí acharem talvez a própria sepultura. Infelizmente não raro isto acontece e as mais das vezes os peixes devoram o cadáver de muitas inditosas mães, que deixam na orfandade e no pranto a tenra prole.

Quem cuidará dela? O pai? Mas também o pai ou morre ou está em estado de impossibilidade. Há de ser então abandoada? Oh! Jamais! Os corações bem formados terão um abrigo também para ela e este ASILO SURGIRÁ NESTA CIDADE, NA BELA E GRANDIOSA COLINA DO IPIRANGA, EM VASTO TERRENO, que se presta ao mais amplo desenvolvimento da obra.

Aí os órfãos do mar crescerão juntos com os que os Missionários acharão abandonados nas colônias e nos estabelecimentos agrícolas…

Centenas de crianças serão salvas da voragem dos vícios e da perdição e tornar-se-ão os futuros obreiros do progresso, engrandecimento e verdadeira felicidade desta nossa pátria querida”.

  

   O autor desse escrito aludia ao Orfanato Cristóvão Colombo, que com a generosa contribuição do povo bandeirante, começara a ser construído na histórica colina do Ipiranga pelo jovem sacerdote, Padre José Marchetti.

     Com efeito o lançamento da pedra fundamental ocorreu aos 15 de fevereiro de 1895 e o regular funcionamento do Orfanato principiou aos 08 de dezembro do mesmo ano.