Padre Faustino Consoni

     Nomeado pelo Fundador, Bem -Aventurado João Batista Scalabrini, diretor do Orfanato Cristóvão Colombo em 04 de março de 1897, Pe. Faustino Consoni, tornou-se  o consolidador do mesmo. Pe. José Marchetti, conseguiu inaugurar o Orfanato, equipá-lo de oficinas profissionalizantes, como também levar a bom estágio a construção do Orfanato de Vila Prudente (Hoje Casa Madre Assunta). Contudo sua morte inesperada deixou a todos num penoso apuro e os credores exigindo o pagamento das dívidas.

     O Pe. Faustino, sucessor do Pe. Marchetti, tornando-se incansável esmoler dia após dias junto às autoridades e aos benfeitores, como também percorrendo as fazendas de café e realizando missões junto aos migrantes italianos pelo interior do Estado de São Paulo, com as ofertas que recebia, logrou apaziguar os credores e alcançar a solidez financeira do Orfanato.

     Perspicaz como era, Pe. Faustino não descartou nenhum estratagema útil e sensato, que pudesse oferecer um futuro tranquilo e promissor à vida das crianças que eram acolhidas no Orfanato. Ele até escreveu em 16 de fevereiro de 1898 uma carta para o Papa Leão XIII, rogando humilde e instantemente auxílios. Reportamos aqui uma frase da carta dirigida ao Sumo Pontífice:

Tenho aqui recolhidos 150 órfãozinhos, sendo a maior parte deles italianos, os quais teriam ficado presa da corrupçãp, se não tivessem encontrado esse Asilo.  As esmolas que recebo nas fazendas deste Estado cobrem parcialmente as necessidades da numerosa família; atualmente o Brasil sob o perfil das finanças claudica desatradamente e, por isso, não sei como enfrentar as crescentes necessidades dos meninos e das meninas, amparados em nosso Instituto. Ademais preocupam-me as crianças, em número superior a mil, que desejariam entrar no Orfanato. (Arquivo Secreto do Vaticano, Affari Ecclesiastici Straordinari, Brasil, ano de 1897, pos 491, fasc.82, f.12r).

     Em 1908 a Igreja de Santo Antônio, na Praça do Patriarca – SP que pertencia à Confraria de Nossa Sra. do Rosário dos Homens Brancos e que fora reestruturada completamente pelos membros da família Condes de Prates, carecia de capelão. Os responsáveis da Confraria solicitaram ao Pe. Faustino, reconfirmado havia pouco tempo no cargo de Superior Provincial na região de São Paulo, que a Congregação Carlista assumisse a capelania vacante. O convite oferecido calhou perfeitamente para equilibrar e fortalecer as finanças do Orfanato Cristóvão Colombo. Os ganhos obtidos através das missões no Estado de São Paulo, minguavam sensivelmente, não obstante o intenso trabalho missionário. Para os dois Orfanatos (Ipiranga e Vila Prudente) tinham sido eleitos quer o novo Ecônomo que o novo Diretor. Ajustava-se perfeitamente para o Pe. Faustino o múnus de Capelão em Santo Antônio, sendo-lhe apontada também a tarefa de PROVEDOR do Orfanato Cristóvão Colombo. Morando ali nas dependências daquela Igreja, centro catalisador de muitos devotos e podendo auferir proventos do Pão dos Pobres, como também mantendo amplas relações com autoridades e benfeitores, Pe. Faustino tinha uma excelente oportunidade de oferecer aos pobres órfãos uma fonte segura de sustentação. Foi assim que Pe. Faustino exerceu por longos anos a beneficente salvaguarda dos órfãos carentes como PROVEDOR do Orfanato Cristóvão Colombo.

     Empossado como Capelão da Igreja de Santo Antônio, Pe. Faustino desenvolveu uma intensa atividade pastoral. O leque de sua ação abriu-se em ajuda espiritual, em conselhos, em orientações para as mais diversas camadas da sociedade, que para ele se dirigiam. Contudo, onde ele prodigalizou o seu carisma pastoral e a sua compaixão misericordiosa foi no ministério da Reconciliação. No confessionário da Igreja de Santo Antônio acorriam todas as classes sociais, desde ministros, deputados, condes, grandes industriais até os mais pobres proletários. A ele acorriam também numerosos bispos, padres, religiosos e religiosas.

Rigoroso para consigo, era extremamente bom para com todos aqueles que se aproximavam para ter conforto e conselho. Ele acolhia a todos sem distinção em sua cela monacal de Santo Antônio, e sabia dizer aquelas palavras provenientes de uma clara visão da situação moral, em que se encontrava quem o procurasse. Deus, o Pe. Faustino o trazia no coração (D. Lourença Lumini).

     No dia de sua morte, um coirmão seu escrevia:

Às sete horas da manhã do dia 12 de agosto de 1934, apagou-se santamente, no Hospital Santa Catarina em São Paulo, o Revmo. Pe. Faustino Consoni – Provedor dos Orfanatos. Morreu quem trabalhou, padeceu, chorou por 38 anos para o bem do Orfanato. Pede-se, e deve-se chamá-lo Co-Fundador da Pia Obra. Enorme perda confortada pela esperança de que ele do céu não nos abandonará.

     Introdução do Livro de Mário Francesconi, CS, intitulado Padre Faustino Consoni